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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

#O Primo Basílio

"...Empurrou uma cancella, fêl-a entrar n'um quarto pequeno, forrado de papel ás listras azues e brancas. 
Luiza viu logo, ao fundo, uma cama de ferro com uma colcha amarellada, feita de remendos juntos de chitas differentes: e os lençoes grossos, d'um branco encardido e mal lavado, estavam impudicamente entreabertos...
 Fez-se escarlate, sentou-se, calada, embaraçada. E os seus olhos, muito abertos, iam-se fixando - nos riscos ignobeis da cabeça dos phosphoros, ao pé da cama; na esteira esfiada, comida, com uma nodoa de tinta entornada; nas bambinellas da janela, d'uma fazenda vermelha, onde se viam passagens; n'uma lithographia, onde uma figura coberta d'uma tunica azul fluctuante, espalhava flôres voando... sobretudo uma larga photographia, por cima do velho canapé de palhinha, fascinava-a: era um individuo atarracado, d'aspecto hilare e alvar, com a barba em collar, o feitio d'um piloto ao domingo: sentado, de calças brancas, com as pernas muito afastadas, pousava uma das mãos sobre um joelho, e a outra muito estendida assentava sobre uma columna troncada: e por baixo do caixilho, como sobre a pedra d'um tumulo, pendia d'um prégo de cabeça amarella, uma corôa de perpetuas!"

O que ela queria? lençóis de seda? cama com dossel? tapetes Persa? Estava a enganar o marido! Ele até poderia ter levado-a para a mata de Sintra!


 

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Primo Basílio

Ganhei uns livros antigos e entre eles estava o livro de Eça de Queiroz, "O Primo Basílio". Nunca me tinha interessado por ler este livro antes, pensava que era maçador, nem sequer sabia o enredo.  Comecei a ler e estou encantada.

Fala de amor, solidão, carência, inocência, traição, amizade, inveja... enfim, tantas coisas que ainda hoje nos rodeiam a todos. O primo Basílio é um sedutor que fez fortuna no Brasil e volta à Lisboa, à passeio e reencontra a prima Luísa, de quem outrora fora namorado. Esta, no entanto está casada com Jorge, um engenheiro que passa longos períodos longe de casa à trabalho. A empregada, Juliana descobre que Luísa tem um romance com o primo Basílio, estou ainda na parte em que Juliana descobre, mas ainda não começa com as chantagens.

Eu sou muito radical quando se trata de traição. Eu condeno Luísa por estar a trair o marido, fidelidade é algo de muito importante e tem que ser levado à sério, tanto no amor quanto na amizade. É certo que ela se sente sozinha, entediada e belo do primo a encanta com elogios e palavras doces. Mas não desculpa para a traição, tem que haver respeito pelo marido! A mediar que for lendo vou comentando aqui as passagens que mais me chamarem atenção.

Uma coisa que me encanta neste livro é que está escrito em português de Portugal do ano de 1929, há tantas palavras que se escreviam de forma diferente do que agora! O próprio título, que no livro esta escrito desta forma: "O Primo Bazilio" com "z". 

Aqui em Portugal fizeram tanto drama com o novo acordo ortográfico, e se esquecem que esta língua está em constante mudança. Se calhar a primeira edição deste livro é ilegível para muita gente! pois com certeza que naquela altura se escrevia de forma bastante diferente que em 1929 e agora!

É um livro que recomendo, a pesar de ainda não ter terminado de ler. E já tenho na fila "Os Maias". Acho que vou virar fã de Eça de Queiroz.